VIAJE, PERMITA-SE, VIVA

Tente não se prender, não se restringir. Procure estar rodeado de pessoas que estejam na mesma sintonia que você, e que vibram pelo outro como se fosse com elas mesmas. Viajar não é só viajar. É estar entregue e ser um fato raro, um fato que você gostaria que os outros tivessem a oportunidade.

Quando estamos fechados em determinados metros quadrados, não nos damos conta de quantos outros metros quadrados esperam por nós. Isso é o significado de quem não viaja. Infelizmente, limita-se a cidade em que vive e cria suas raízes ali.

Mas não significa que viajar vai fazer com que você abra os olhos e enxergue outra forma de ver o mundo. Há sempre uma coisa que tem que andar conosco. Sensibilidade. Essa palavra mágica evidencia o que há de mais bonito na vida, e o que mais merece atenção e valor. É a partir dela que verá o quanto não se sabe sobre o mundo e a vida, por mais que saiba, por mais que estude. É a partir dela que verá como existem situações piores e que muitas vezes reclamamos de barriga cheia, como se diz. É a partir dela que vamos nos colocar no lugar do outro e nos tornaremos melhores. É a partir dela que vamos sempre querer viajar, não para ostentar e relaxar, mas para conhecer pessoas, culturas, culinárias e realidades que nos acrescentarão como ser humano e nos mostrará a preciosidade da vida.

Outra coisa que buscamos através da viagem é a cultura. A sensação ao se deparar com coisas que não são do seu dia a dia é fantástica. Você se preenche de uma maneira inexplicável, e só quer ficar ali. Você se apaixona e é infinitamente grato pela oportunidade. Isso acontece, pois se permite. Quando nos permitimos, somos nossas almas livres e em busca de acariciar suas respectivas essências.

A comunicação humana pode gerar tanta coisa, e como é gostoso quando nos comunicamos com quem não estamos acostumados a ver cara a cara. A conexão é ainda maior, a satisfação é ainda maior. O laço fortalece, e mais um vínculo é criado. Trocar palavras quando está onde queria estar e em companhia agradável não é só trocar palavras, é sentir pertencente de tal lugar e uma felicidade no coração, é se afagar nos outros fazendo o bem para todos que ali estão.

Um dia, eu disse que é um pecado se restringir aos prazeres da vida e ao todo que o mundo é. Há tanta coisa para ser vista, ouvida, contemplada. Há tanta coisa esperando que tenhamos coragem para ir. Há tanta coisa esperando uma oportunidade para nos mostrar a beleza que nos cerca. Creio não estar errada sobre isso.

Não pense você, leitor, que eu só sei viajar. Não, não sei. Queria, muito. Mas aproveito as poucas oportunidades que tenho. Pois sempre permito que a minha alma me leve para contemplar o que a minha essência ama. Procuro olhar com os olhos de quem quer ver. Procuro ser objetiva quando se trata do coração.

Tente não se prender, não se restringir. Procure estar rodeado de pessoas que estejam na mesma sintonia que você, e que vibram pelo outro como se fosse com elas mesmas. Viajar não é só viajar. É estar entregue e ser um fato raro, um fato que você gostaria que os outros tivessem a oportunidade.

A arte, a filosofia, o sentimento, o que pensamos, o que sentimos, a marca que deixamos. Tudo são rastros daquilo que somos, daquilo que passamos e nos tornamos. Ninguém nunca será o mesmo, crescemos aos poucos, mudamos aos poucos, ora pra melhor, ora pra pior. Estamos em constante aprendizagem, e viajar deveria ser matéria crucial para a aprovação. Aprovação de humanidade, de troca, de compartilhamento.

Ter o privilégio de ver outras realidades é experimentar das várias fragrâncias que o mundo tem. É buscar novos ares para encher quem somos com várias partículas, é ter noção da diversidade e respeitá-la. Fique entendido: não se vai longe, quando não sabemos olhar e refletir sobre tudo que está ao nosso redor.

No final de tudo isso, viajando ou não, reconhecendo o outro ou não. Seremos gratos. Pois não há nada mais divino que a vida e as inúmeras formas que ela se apresenta. Não há nada mais bonito que a felicidade compartilhada. Não há nada melhor do que amar e ser amado. Não há nada que procuremos mais do que viver e degustar dessa palavra com tal liberdade e sentimento nunca vistos.

Somos instantes, somos os livros que lemos, as viagens que fazemos, as pessoas que amamos. Somos tudo isso, quando nos permitimos ser. Somos apaixonados pelo mundo, e principalmente, somos sensíveis aos seus sinais.

Por: Natally Rodrigues em obvious.

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